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Capa Porque Me Orgulho de Ser Portugues_300dpi - C

 

As obras “Palavras Cínicas” e “Porque me Orgulho de Ser Português”, de Albino Forjaz Sampaio (1884-1949), apresentado pela editora como um “escritor maldito, de um cinismo inquestionável”, foram reeditadas pela Guerra & Paz.

O título “Palavras Cínicas” foi editado pela primeira vez em 1905, e a atual edição segue a publicada em 1911, da qual se reproduz o prefácio, incluindo ainda uma nota dos editores e uma biografia do autor, que se iniciou nas lides literárias aos 16 anos, incentivado pelo escritor Fialho de Almeida e pelo jornalista e político Manuel de Brito Camacho, que fundou o jornal A Lucta.

Esta obra foi escrita “com o propósito de irritar o público” e causou grande escândalo, mas garantiu “o lugar de Forjaz Sampaio na literatura portuguesa”, afirma a editora, segundo a qual, quando o autor morreu, este título contava já 46 edições.

“Forjaz Sampaio ficou para a história como o artista da frase incisiva, da crítica mordaz, de uma linguagem agressiva e ofensiva”, escreve a editora.

A obra “Palavras Cínicas” é constituída por oito cartas, nas quais aborda diferentes temas, do egoísmo à hipocrisia, passando pela descrença em Deus, sobre a vida e sobre a humanidade em geral.

As suas sucessivas edições não deixaram ninguém indiferente e, segundo a Guerra & Paz, “o pessimismo e a mordacidade da voz de Forjaz Sampaio atingiram algumas das fundações do edifício português: o clericalismo enfatuado, a moral balofa, o populismo sabichão”.

 

Palavras Cínicas_CAPA_300dpi.jpg

 

Outro título de Forjaz Sampaio, também publicado pela Guerra & Paz, é “Porque me Orgulho de Ser Português”, em que se louva as “belezas e primores” nacionais.

Uma obra, elucida o seu autor, “escrita à luz amiga do azeite nacional”, inspirada em “Porque me Ufano do Meu País”, do autor brasileiro Afonso Celso, tendo como destinatários os portugueses.

Esta obra foi publicada, pela primeira vez, em 1926 e, mais tarde, promovida pelo então Secretariado de Propaganda Nacional, do Estado Novo, pois o seu autor propõe-se relatar “a valentia incomensurável do português”, que aponta como “homem indomável”.

A obra, constituída por nove capítulos, inclui dedicatórias e vários textos introdutórios.

A presente edição, que segue a publicada pela Livraria Sá da Costa, em 1938, inclui textos de personalidades que, na época, a comentaram, como o almirante Gago Coutinho, o ex-Presidente da República Bernardino Machado ou o fundador do jornal O Século, José Magalhães de Lima.

Sobre “Porque me Orgulho de Ser Português”, o escritor e dramaturgo Júlio Dantas afirmou tratar-se de “um belo livro, intérprete eloquente dum sentimento que hoje, em Portugal, cada vez mais nos domina e dirige: o orgulho de ser português”.

Talvez por este elogio, o autor é citado por Almada Negreiros no seu “Manifesto Anti-Dantas”, no qual escreveu: “E o raquítico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Luta que Fialho com imensa piada intrujou de que tinha talento”.

Fialho de Almeida, autor de "Os Gatos", por seu turno, sobre Forjaz Sampaio, atestou: "Produz páginas já virilmente rajadas de cor séria, de figurações e imagens  da própria retina, de pontas de pessimismo ervadas de galhofa; dotes magníficos de cujo uníssono floreja a resultante de um escritor".

Albino Forjaz Sampaio foi membro da Academia das Ciências de Lisboa e responsável pelo arquivo e biblioteca do então Ministério do Fomento.

Da sua vasta bibliografia, além destes dois títulos agora reeditados, constam “Volúpia e A Nova Arte – A Gastronomia” (1940), “Vidas Sombrias” (1917), “Prosa Vil” (1911) e “Lisboa Trágica" (1910), tendo ainda dirigido a História da Literatura Portuguesa Ilustrada (1929-1942).

 

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MTNoronha_caixa (4).jpgA integral das gravações de Maria Teresa de Noronha (1918-1993) é editada em setembro, celebrando o centenário do seu nascimento, e incluirá mais de 50 registos inéditos, segundo Frederico Santiago, coordenador do projeto.

Entre as gravações inéditas encontram-se dois fados gravados no seu primeiro programa na ex-Emissora Nacional, em julho de 1939.

Em declarações à agência Lusa, Frederico Santiago disse que a edição é “uma caixa de seis CD com a integral das gravações de estúdio de Maria Teresa de Noronha, complementada pelas gravações inéditas de programas na rádio".

Estas incluem "a gravação de dois fados do primeiro programa na [antiga] Emissora Nacional, em 1939, que se encontrava na posse da família, alguns fados gravados em programas da década seguinte, e 46 fados gravados por Nuno Siqueira [um estudioso e colecionador fadista], entre 1960 e 1961, a partir da emissão desses programas”.

A edição inclui, entre o material inédito, os testes que a criadora do "Fado das Horas" fez para entrar na discográfica Valentim de Carvalho, provavelmente em 1958, pois começou a gravar em 1959 para a discográfica.

Outro destaque é sido possível reunir todos os discos de 78 rotações por minuto (78rpm), que a fadista gravou para a etiqueta Rouxinol, num total de 14 fados.

“Muitos dos fados que gravou na etiqueta Rouxinol, não voltaria a gravar”, realçou Frederico Santiago.

O restauro destas gravações foi feito por Pedro Félix, da Universidade Nova de Lisboa, responsável, entre outros, pelo CD “Canções de Ida e Volta”, editado pelo Museu do Fado, que reúne gravações de 1911 a 1956, de nomes como Ester de Abreu, Maria da Graça, Isaura Garcia, Olivinha de Carvalho, Joel Lemos e Pedro Vargas.

Dos inéditos de Maria Teresa de Noronha, o investigador referiu ainda dois de estúdio gravados nas sessões para o LP “Saudade das Saudades”, e que não foram incluídos nesse álbum. Entre eles, está um fado de Coimbra - Maria Teresa de Noronha terá sido a primeira mulher a cantar este género musical, exclusivamente masculino, pelo facto de estar ligado à Universidade, onde predominavam os estudantes.

Maria Teresa de Noronha gravou exclusivamente, à exceção de “Rosa Enjeitada” e de um outro fado, fados estróficos, isto é, fados sem estribilho, disse Frederico Santiago, referindo a sua grande ligação artística ao marido, José António Sabrosa, guitarrista, e “um grande compositor de fados”, autor, entre outros, do "Fado da Defesa" e "Pintadinho".

Maria Teresa de Noronha é quase uma enciclopédia de fado tradicional, e uma lição de bom gosto a estilar [forma de variar dentro da mesma linha melódica]. Conseguiu impor um estilo original e, ao mesmo tempo, tornar-se num bastião de tradição no fado. É, muito injustamente, um bocadinho ignorada pelas novas gerações”, disse.

Frederico Santiago realçou o facto de Maria Teresa de Noronha “não fazer propriamente carreira, cantava quase apenas quando lhe apetecia". "Felizmente apetecia-lhe quase sempre, o que permitiu o contrato na Emissora Nacional, com um programa quinzenal entre 1939 e 1962, interrompido apenas brevemente quando se casou, em dezembro de 1947, e [com] o contrato de exclusividade com a editora Valentim de Carvalho, a partir de 1959. Foram essas duas facetas, os programas na rádio e os discos para a Valentim de Carvalho, que a transformaram numa vedeta nacional, mesmo sem ter carreira nas casas de fado ou no palco".

O investigador justificou essa postura e reserva “pela condição social de Maria Teresa Noronha”, neta dos condes de Paraty, e casada com o conde de Sabrosa, "o que não lhe permitia assumir-se como vedeta que era”.

“Acho que foi essa também uma das tragédias da sua vida, e que tanto se reflete na tristeza contida que tinha no seu cantar", acrescentou.

A fadista estreou-se aos microfones da Emissora Nacional, em 1938, na festa de despedida do locutor Fernando Pessa (1902-2002), na BBC Radio, em Londres, e, apesar dos “poucos espetáculos que fez”, chegou a atuar em Espanha, Inglaterra, Bélgica, Mónaco e no Brasil.

Maria Teresa de Noronha que celebrizou, entre outros, o “Fado do Castanheiro”, “Minha Sina”, “Fado das Horas”, “No Amor não há Segredos”, “Fado da Verdade”, “Saudade das Saudades”, “Pinóia”, “Tipóia”, “Fado de Outrora”, “Fado Dois Estilos” e “Minha Guitarra”, anunciou que, com o fim do programa na Emissora Nacional, em 1962, punha fim à sua carreira.

A edição inclui um texto do musicólogo Rui Vieira Nery, que era seu afilhado, outro de Nuno Siqueira, atual presidente da Academia da Guitarra Portuguesa e do Fado, sobre os programas na Emissora, e uma cronologia com as principais datas da sua carreira.

Muitos dos programas gravados por Nuno Siqueira foram datados a partir das agendas da fadista, “onde apontava quase tudo”, disse Frederico Santiago, que levou cerca de um ano a preparar esta edição.

Maria Teresa de Noronha também atuou na televisão, em Portugal, desde as primeiras emissões, tendo sido a convidada especial no Festival RTP da Canção de 1969, o primeiro transmitido em direto a partir de uma sala de espetáculos, o Teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa. O seu último álbum, “Fado Antigo”, seria gravado em 1971.

O coordenador da edição discográfica, Frederico Santiago, é responsável pela edição integral de Amália Rodrigues, que está a ser publicada desde 2014, e que tem trazido a lume edições históricas como o CD “Tivoli 62”, o registo inédito de parte da homenagem ao fadista e gerente artístico Filipe Pinto (1905-1968), na qual atuaram Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo e Amália, entre outros.

 

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