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José Afonso, falecido há 30 anos, pagou “o preço das opções que fez nas condições materiais em que viveu, e foi, até ao fim, um homem livre e insubmisso”, afirma José Jorge Letria, que com ele conviveu.
Poeta, dramaturgo e atual presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, José Jorge Letria faz estas afirmações no livro “Zeca Afonso. O que faz falta. Uma memória plural”.
A obra divide-se em duas partes essenciais. Na primeira, José Jorge Letria, que partilhou palcos com José Afonso, traça o perfil e a carreira do autor de “Grândola, Vila Morena”. A segunda parte é constituída por 22 testemunhos de personalidades como António Almeida Santos (1926-2016), Carlos do Carmo, Francisco Fanhais, José Tengarrinha, Pedro Abrunhosa ou Vitorino, que conhecerem ou acompanharam o músico português.
“Pessoas que podem dar testemunho sobre várias etapas” do percurso de José Afonso, afirma Letria, referindo que alguns dos escolhidos são “menos previsíveis, mas nem por isso menos representativos”.
“Alguns destes testemunhos têm um claro e inesperado interesse documental, revelando aspetos insuficientemente conhecidos da personalidade de José Afonso”.
Para Letria, o autor de “Os Índios da Meia-Praia” é “uma personalidade complexa e fascinante que, num tempo não esvaziado de memória, é urgente reencontrar, também no plano da afetividade e dos exemplares valores da cidadania”.
“Neste tempo de desertificação da memória, falar de José Afonso é falar dos valores que a voragem do tempo e o jogo dos pequenos e grandes interesses não pode fazer prescrever", advoga Letria.
O ensaio de José Jorge Letria sobre José Afonso (1929-1987), que constitui a primeira parte da obra, intitula-se “A errância criadora: Breve viagem por uma Vida”. Neste texto, José Jorge Letria traça o percurso do 'cantautor', que “simboliza e sintetiza o profundo processo de rutura e inovação que marca definitivamente a música portuguesa, a partir da década de sessenta [do século XX], introduzindo nela a qualidade poética, a imaginação, melódica, o engenho interpretativo e o compromisso cívico”.
Sobre a intervenção política de José Afonso - de seu nome completo José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos -, Letria realça a sua “generosidade como ser humano”, “a sua recusa de qualquer forma de paternalismo ou de qualquer compromisso que pudesse hipotecar a sua liberdade de ação e de opinião”.
De “uma infância andarilha” às suas “errâncias como ‘bicho-cantor’”, José Afonso “reivindicou para si muito mais o estatuto de agitador e de combatente cívico, do que propriamente o de cantor”.
José Jorge Letria refere que José Afonso nunca seguiu qualquer ritual cénico ou “qualquer estratégia de programação discográfica", rejeitando “qualquer forma de mercantilismo ou de cedência comercial”.
“Sempre andarilho”, o cantor e compositor, “nunca chegou a filiar-se no PCP, não obstante ter sido durante anos, antes de [25 de] Abril [de 1974] um verdadeiro ‘compangon de route’”.
José Afonso deu-se a conhecer em 1953, quando gravou os primeiros discos, em 78 rotações, no Emissor Regional de Coimbra da ex-Emissora Nacional.
Para o autor, José Afonso faz uma rutura com o fado de Coimbra, que começou por gravar, por considerar que este e “a sua ritualização faziam parte desse mundo praxista com o qual não se identificava e que, no seu entender, perpetuava a apatia da universidade e da intelectualidade portuguesa em relação à ditadura”.
Esta rutura deu-se nos inícios da década de 1960, quando gravou o EP “Balada de Outono” para a discográfica Rapsódia e onde em temas como “Vira de Coimbra” e “Amor de Estudante” revelava já, na forma, “o compromisso com o canto tradicional de Coimbra”.
Mais tarde, com a sua ida para Moçambique, notar-se-ia a referência africana na sua obra musical.
É após o regresso, que José Afonso se assumiria como “a voz da mudança” e iniciaria uma relação com a etiqueta discográfica Orfeu, “responsável pela edição de mais de metade da sua obra discográfica”, incluindo álbuns como "Cantigas do Maio", "Venham mais Cinco" ou "Cantares do Andarilho".
O ensaio sobre o percurso de José Afonso inclui ainda a transcrição de cartas e notas do criador de “O que faz falta” e "Coro dos tribunais", e refere-se ao período após a Revolução dos Cravos como o da “militância e utopia”, prosseguindo até à derradeira etapa da vida do compositor.
"A doença foi mais forte que a repressão”, escreve Letria sobre aquele que considera “o distraído mais atento e lúcido” que conheceu.

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Os jornalistas António Marujo e Rui Paulo Cruz, autores da obra “A Senhora de Maio”, afirmam que os acontecimentos de maio de 1917 “dividiram e dividem opiniões e emoções em Portugal e no mundo, mesmo entre os católicos”.
O livro “A Senhora de Maio - Todas as perguntas sobre Fátima” reúne 20 testemunhos sobre os acontecimentos sucedidos em Fátima há 100 anos, apresentando uma “pluralidade de olhares”, como referem os autores na introdução, que vão do padre Luís Kondor (1929-2008), que foi vice-postulador da Causa da Canonização dos Pastorinhos de Fátima, aos bispos Carlos Azevedo e Januário Torgal Ferreira, passando pelo artista plástico Robert Schad e a psicanalista Maria Belo.
Entre outros testemunhos, o livro apresenta o de João Marto (1906-2000), irmão de Jacinta (1910-1920) e Francisco (1908-1919), dois dos pastores de Fátima, e primo de Lúcia (1907-2005), a terceira criança que afirmou ter visto a “Senhora de Branco” e que escreveu vários livros sobre o sucedido, assim como o de Maria Emília Santos, "a miraculada" por Jacinta e Francisco.
Os autores esclarecem que esta “pluralidade de olhares” “resulta das entrevistas” que realizaram em vídeo “nos dois últimos anos do século XX”, tendo em vista a realização do documentário “A Senhora de Maio”, quando “se aproximava a beatificação”, pela Igreja Católica, de Jacinta e Francisco, o que ocorreu no dia 13 de maio de 2000, aquando de uma vista pastoral do papa João Paulo II a Fátima.
A recolha dos testemunhos, afirmam os autores, visa “uma reflexão abrangente e não engajada sobre o fenómeno, retratando com o rigor possível a sua projeção quer espiritual, quer política, na época e nas décadas futuras”.
Fátima é “um dos elementos constitutivos do ‘ethos’ nacional e representa para muitos uma das formas mais impressivas de nos inscrevermos no mundo, chegando a imagem da peregrinação de 13 de maio a confundir-se com o retrato do nosso rosto antropológico enquanto povo”, escreve Lídia Jorge no prefácio.
Para a autora, “o fenómeno de massas em que [Fátima] se tornou, mesmo à luz dos simples movimentos humanos de fraternidade e amor pelos outros, é compreensível”, referindo que “a narrativa dessa experiência” - a visão de algo divino relatado pelas três crianças que pastoravam gado -, “envolvendo a morte de duas crianças, mortes tão do seu tempo, e mortes tão portuguesas, desencadeia os sentimentos de ternura e de pena que [se nutre] por todas as crianças esfomeadas e desvalidas”.
“Fátima impele para essa componente de compaixão humana que existe em todos nós”, sentencia a escritora, que referindo-se à adoração de João Paulo II por Nossa Senhora do Rosário de Fátima, recorda que este agradeceu “de forma exuberante ter-lhe sido salva a vida, em contraste com o exemplo de Jesus Cristo, a pedra única e angular do edifício da religião cristã, que se deixou matar para criar a nova criatura, o homem novo”, parafraseando S. Paulo.
Lídia Jorge afirma que este livro “sugere a abertura de um processo de consideração intelectual sobre Fátima que falta fazer em Portugal […] sem que isso implique pôr em causa as questões centrais da Fé, tal como os cristãos a vivem”, aludindo ao testemunho do bispo Carlos Azevedo.
A escritora adverte que o debate sobre os acontecimentos de Fátima, em 1917, está “inquinado desde a primeira hora, pelas posições extremadas, ditadas pelo momento histórico por que passavam Portugal e a Europa”, que viviam o contexto da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Os autores, com esta obra, “pretendem convocar os dados do discernimento, neste novo tempo”, sem “infringir os limiares das convicções religiosas”, atesta Lídia Jorge.

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