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João Chora, que defende que o Ribatejo, de onde é natural, dá “um cunho próprio” ao fado, celebra 30 anos de carreira com um espetáculo no domingo, no Auditório Fernando Lopes Graça, em Almada.
“Neste espetáculo farei uma ‘viagem musical’ pelos meus cinco álbuns, desde o primeiro álbum, ‘Fados e Baladas’, que foi produzido por José Cid, e irei interpretar temas emblemáticos do meu repertório e apresentarei alguns inéditos”, disse o fadista à Lusa.
João Chora é acompanhado pelos músicos Hugo Edgar, na guitarra portuguesa, André Santos, na viola, e o espetáculo conta com a “participação especial” dos Fandanguistas de Riachos.
O fadista integra um grupo de vozes e músicos de fado do Ribatejo que “impregna um cunho próprio” à canção de Lisboa, na qual João Chora procura “marcar a diferença, ao impor um estilo próprio”.
João Chora aponta “a envolvência e ambiência do [rio] Tejo e da campina como marcantes nos temas fadistas ao lado da festa brava e da lide do campo”.
“Pode parecer um chavão, mas creio que, nesta altura, tenho já um estilo próprio, que é aquilo que nos diferencia uns dos outros, e me permite até cantar temas de outros repertórios como ‘O amor é louco’, de Carlos Ramos, sem imitar”, afirmou.
Carlos Ramos e Carlos do Carmo são dois dos fadistas de quem João Chora reconhece influências e aprecia, ao lado de Carlos Zel e João Ferreira-Rosa.
No CD celebrativo dos 25 anos, de Carlos Ramos, gravou “O Amor é Louco”, de Carlos do Carmo, “Fado Varina”, e, de Carlos Zel, “Eu quero ter eternamente este segredo”, e ainda, de Maria da Fé, “O que é que eu digo à saudade”.
Sobre este último fado, que é uma criação de Maria da Fé, João Chora justificou à Lusa da seguinte forma a opção: “É daqueles fados que se gosta logo à primeira e que as pessoas se habituaram a ouvir na minha voz e que marca o meu percurso, e daí o ter integrado no CD”.
O fadista referiu, como “ponto alto da carreira”, a digressão que fez aos Países Baixos, em 2002. “Foram salas cheias, que adoravam o fado, foi uma experiência fabulosa, em que, de facto, me senti artista”, desabafou o fadista que reconhece “não ser tão reconhecido em Portugal, como talvez merecesse”.
João Chora, de 57 anos, afirmou que o “fado fez sempre parte” da sua vida, mas começou por ser “menino de coro” na paróquia da Chamusca, integrou depois um grupo de baile, antes de, na segunda metade da década de 1980, começar a conviver com nomes do fado e a aprender a tocar fado, a aprender as músicas e a informar-se, mas havia já “um percurso muito caseiro de tertúlias fadistas com amigos”, entre eles os músicos Carlos Lisboa e Custódio Castelo.
“A primeira casa de fados a que fui em Lisboa foi o ‘Fado Menor’, onde cantavam, entre outros, o Tony de Matos, a Lídia Ribeiro, e o Camané”, recordou.

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A Poesia Completa de Mário Dionísio, autor nascido há cem anos, foi publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), na sua coleção Plural, com uma nota introdutória do encenador e cineasta Jorge Silva Melo.

Sobre Mário Dionísio (1916-1993), afirma Silva Melo, citando o autor, que é “inclassificável”, pelo facto se ter dispersado por diferentes áreas, da poesia ao ensaio, passando pela ficção e pela pintura.
“Mário Dionísio era acima de tudo do gigantesco ‘A paleta e o mundo’”, afirma Silva Melo, citando esta obra editada em dois volumes, em 1956 e 1962, sob orientação gráfica de Maria Keil, e sobre a qual afirmou José-Augusto França, tratar-se de um “trabalho de largo fôlego, de uma envergadura ensaística nunca antes pretendida, nas suas quase mil páginas”, que “marca uma época”.
Nesta nota introdutória, Silva Melo traça um perfil da obra de Mário Dionísio do ponto de vista em que se foi aproximando dela, advertindo que foi “um leitor que começou pelo meio”.
“Memória de um pintor desconhecido”, incluída nesta Poesia Completa, foi o primeiro livro que leu do autor e logo lhe gerou grande perplexidade: “O que era aquilo? Não era bem um ensaio, mas parecia poder ser. Um diário, não era. […] Bem podia ser uma novela. Era sim, um longo poema sobre a atividade de pintar, o seu sentido, o tempo: um poema nos limites da poesia, nos limites da prosa, nos limites do ensaio, um longo poema verdadeiramente experimental”.
Esta obra, em que a INCM respeitou a ortografia de 1945, por Mário Dionísio, na década de 1980, ter “manifestado publicamente” “atenta apreensão”, “relativamente à uniformização ortográfica do português”.
Além de “Memória de um pintor desconhecido” (1965), a obra inclui “Poemas” (1936-1938), sobre o qual Dionísio afirmou, na primeira edição de 1941, ser “uma introdução” à sua pessoa, e ainda, “As solicitações e emboscadas” (1945), “Dispersos no tempo”, que inclui poemas publicados em 1942, 1948, 1950 e 1953, este último em Moçambique, “O riso dissonante” (1950), e “O silêncio voluntário”, que reúne a poesia escrita nos quinze anos que antecederam “Memória de um pintor desconhecido”.
A obra editada pela INCM inclui também “Le feu qui dort” (1967) e a versão portuguesa de Regina Guimarães de “O fogo desconhecido” (2015) e “Terceira idade” (1982).
Silva Melo argumenta que “chamar ‘completo’ ao que aqui fica – poesia ou não, isso é com os críticos, com os leitores – seria (…) considerá-lo morto, enterrá-lo para sempre". “Perder o elemento precioso que me liga a tudo e a todos, nada mais ter”, remata o encenador.
O espólio de Mário Dionísio encontra-se na Casa da Achada - http://www.centromariodionisio.org -, em Lisboa, a Alfama, instituição que dinamiza o estudo e divulgação da sua obra. 

 

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Nascido em Lisboa, Mário Dionísio licenciou-se em Filologia Românica, em 1940, foi professor do ensino secundário e, após o 25 de Abril, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde, entre outros conheceu Fernando Piteira Santos e Vitorino Magalhães Godinho.

Desde 1933, quando ingressou na Faculdade, iniciou uma sistemática atividade política contra o regime de ditadura instituído pela Constituição plebiscitada nesse ano, liderado por António de Oliveira Salazar e, mais tarde, Marcello Caetano, que foi deposto na Revolução de 25 de Abril de 1974.
Na obra literária de Mário Dionísio, além da poesia, destacam-se os contos, reunidos em coletâneas como "O dia cinzento", "Monólogo a duas vozes" e "A morte é para os outros", o romance "Não há morte nem princípio" e as memórias de "Autobiografia".
No âmbito das artes plásticas, salientam-se o volume dedicado a "Vincent Van Gogh" e, sobretudo, "Conflito e unidade da arte contemporânea" e os cinco volumes de "A paleta e o mundo", que combinam história, biografia e uma abordagem analítica da arte.
Em Vila Franca de Xira, no Museu do Neo-Realismo, está patente a exposição "Passageiro clandestino – Mário Dionísio 100 anos", até 26 de fevereiro.

 

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