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 Museu do Fado.

O “seminário de letristas de fado”, que se inicia no dia 03 de fevereiro, no Museu do Fado, irá debater “o que distingue a poesia do fado da outra poesia”, entre outras matérias, segundo o investigador e poeta Daniel Gouveia, que orientará as diversas sessões, citado pel'A Visão.

O “seminário de letrista de fado” prolonga-se até 14 de abril, num total de 20 horas, tendo, todos os módulos, uma parte prática e outra teórica.

Entre outras questões, Daniel Gouveia, autor da obra “Ao fado tudo se canta?”, afirmou que se vai abordar “o porquê de letristas e não poetas”, “o fado como poesia com características de prosa” e realçar que a “finalidade da letra é ser cantada”.

Estas questões serão abordadas na introdução, que culmina com a “feitura em grupo, logo na primeira aula, de uma letra de mote e glosa, com uma quadra e duas décimas”.
O primeiro módulo é dedicado à “métrica”, no qual, entre outras matérias se falará da “noção de sílaba, palavra, verso, estrofe, poema/letra e da acentuação, as sílabas tónicas e as átonas; a acentuação e rítmica musical”, explicou o investigar, autor de algumas letras do mais recente álbum de José Câmara, “Até sempre senhor fado”, editado em setembro último.
O segundo módulo é sobre a Língua Portuguesa, no qual se procurará referir, entre outras questões, a “noção da relação emissor/recetor como essencial no fado, e a preocupação de clareza, simplicidade e fácil articulação”.
A “estilística fadista” e a “história do fado” são os módulos seguintes e, o último, “Produção de Letras”, é o mais longo, num total de seis horas.
Neste módulo, “os alunos irão criar quadras, quintilhas, sextilhas, etc.”.
As letras executadas no curso serão, no final, cantadas pelos alunos da Escola de Canto e Guitarra e a “seleção das melhores produções para serem cantadas nas sessões regulares do Museu, para o público”.
As escolas do Museu são orientadas pelos fadistas António Rocha e Julieta Estrela, a de Canto, e pelo guitarrista António Parreira, a de guitarra portuguesa.
O curso de guitarra portuguesa é dividido em cinco anos, com programas anuais e objetivos a cumprir pelos futuros guitarristas, explicou à Lusa António Parreira.
O guitarrista, que editou um livro de partituras de 180 fados tradicionais, no ano passado, “O livro dos fados”, disse à Lusa que este “era um sonho da classe, há muitos anos”.
O músico afirmou à Lusa que ficou “emocionado e grato” por, na terça-feira passada, o Presidente da República, numa cerimónia naquela instituição, ter salientado, no seu discurso, “o trabalho, o empenho e a importância da escola”.
“Há um reconhecimento do que se faz, e isso para nós é muito importante”, disse.

Foto: NACAL/FMS

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Manuel de Almeida. 

A Casa do Artista realiza este mês uma série de quatro espetáculos de homenagem a fadistas, entre os quais Ada de Castro e Celeste Rodrigues, cujas receitas revertem para a obra social da instituição.

Os espetáculos realizam-se sempre às segundas-feiras, pelas 21:30, no Teatro Armando Cortez, uma das valências da Casa do Artista, e o primeiro, no dia 02 de fevereiro, homenageia Manuel de Almeida, fadista falecido em 1995, que se estreou profissionalmente em 1951.
Neste espetáculo, participam os fadistas André Baptista, António Laranjeira, Joana Amendoeira, Maria Armanda, Maria Mendes e Rodrigo, assim como o músico Rão Kyao - estes dois últimos trabalharam de perto com Manuel Almeida.
O Forte D. Rodrigo, em Cascais, de Rodrigo, foi a última casa de fados onde cantou Manuel de Almeida, que gravou um álbum com Rão Kyao, "Eu fadista me confesso", e que com ele participou, em 1986, num festival na Coreia do Norte.
Nesta homenagem a Manuel de Almeida, os seis fadistas são acompanhados à guitarra portuguesa por Pedro Castro e, à viola, por André Ramos.

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Ada de Castro. 

No dia 09, é homenageada Ada de Castro, de 77 anos, criadora de “Alguém mandou-me violetas”, fadista que, ao longo da carreira, iniciada em 1960, gravou mais de meio milhar de fados, marchas e canções, como refere a Fundação Amália, no programa de entrega do Prémio Carreira, em 2010.
Neste espetáculo participam os fadistas Florinda Maria, que foi homenageada no ano passado pela Associação Cultural Alfredo Marceneiro-Patriarca do Fado, Hélder Moutinho, José Manuel Barreto, distinguido, em 2014, com o Prémio Amália Melhor Intérprete, Luísa Rocha, Maria da Nazaré, Margarida Bessa e Pedro Lisboa.
No dia 16 de fevereiro é homenageado Fernando Maurício, falecido em 2003, apelidado, em vida, de “Rei do Fado", criador, entre outros êxitos, de “Boa noite, solidão”.
Neste espetáculo, participam a sua sobrinha Ana Maurício, assim como Artur Batalha, Dina do Carmo, Filipa Cardoso, Luis Matos, Pedro Moutinho e Teresa Tapadas.
A última homenagem é a Celeste Rodrigues, de 91 anos, criadora de “A lenda das algas”. O espetáculo realiza-se no dia 23 de fevereiro, com a participação de António Pinto Basto, Fábia Rebordão, Yola Dinis e Jorge Fernando, ainda Marco Rodrigues e Cristina Nóbrega, fadistas distinguidos com o Prémio Amália Revelação, e Ricardo Ribeiro, já distinguido com dois prémios Amália - Revelação e Melhor Intérprete.
A Casa do Artista, em Carnide, é uma associação, sem fins lucrativos, de apoio aos artistas, inaugurada em setembro de 1999.
No âmbito das celebrações dos seus 15 anos, a Casa do Artista tem patente, na sua galeria, a exposição de fotografia “Há quinze anos na fila da sempre”, que apresenta o grupo dos 33 fundadores, entre eles os atores Raul Solnado, Armando Cortez, Alda Pinto, Beatriz Costa, Carmen Dolores, Manuela Maria e Alina Vaz.

Fotos: tiagocorreiafado.blogspot.com/C.M.Setúbal/FMS

 

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