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Carlos do Carmo, a celebrar 50 anos de carreira, vai receber um "Lifetime Achivement Grammy", que distingue carreiras de referência no panorama internacional, sendo o primeiro artista português a recebê-lo.
O galardão, que será entregue no dia 19 de novembro no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, no Estado norte-americano do Nevada, distingue as carreiras que constituíram contribuições criativas de excecional importância artística.
"O 'Board of Trustees' da Latin Academy of Recording Arts and Sciences [LARAS] decidiu, por unanimidade, atribuir a Carlos do Carmo o ’Lifetime Achievement Award’, galardão que distingue a obra das grandes referências do panorama musical internacional", indica a produtora do fadista em comunicado citado pela imprensa.
Carlos do Carmo, de 74 anos, tem sido distinguido ao longo da carreira com vários galardões, entre eles, o Prémio Goya da Academia de Artes Cinematográficas de Espanha, pela interpretação de "Fado da Saudade".
Em comunicado, a academia norte-americana considera Carlos do Carmo "um dos maiores fadistas do seu tempo", referindo que é filho da "lendária fadista Lucília do Carmo, que teve um papel importante na sua carreira, que se prolonga há mais de 50 anos".
A academia aponta Carlos do Carmo como uma das "mais emblemáticas vozes da música portuguesa".
No mesmo texto a LARAS refere que o fado tem sido o "cerne da sua música, mas a sua forma distintiva de interpretar, o seu timbre, e a sua afinidade com a canção francesa e a bossa nova brasileira" permitem-lhe "criar um estilo inconfundível".
Do vasto repertório do fadista, a LARAS cita os fados "Duas lágrimas de orvalho", "Lisboa menina e moça" e "Canoas do Tejo", e discrimina alguns palcos de referência que o fadista pisou, designadamente o Olympia, em Paris, a Alter Oper, em Frankfurt, e o Royal Albert Hall, em Londres.
Carlos do Carmo "desempenhou um papel fundamental na candidatura do fado a Património Cultural Imaterial da Humanidade através dos seus inúmeros concertos, gravações e a participação, em 2007, no filme "Fados", de Carlos Saura", lê-se na mesma nota.
O Lifetime Achievement Award já distinguiu entre, outros nomes, o brasileiro Roberto Carlos, Mercedes Sosa, Rocío Durcal, Chavela Vargas, Alberyo Cortez, Linda Ronstadt, María Dolores Pradera, Toquinho, Hebe Camargo, Juan Carlos Calderón e Luz Casal.
Segundo a produtora do fadista, em novembro está prevista a estreia de um documentário sobre a carreira do criador de "Os Putos".
As reações a estab distinção vieram de diferentes quadrantes, Mariza, em declarações à Lusa, por seu lado, afirmou que “a distinção é mais do que merecida”.
“Sinto uma felicidade enorme pelo meu mestre Carlos do Carmo. São 50 anos dedicados ao Fado e à Cultura portuguesa”, afirmou a fadista com a qual Carlos do Carmo partilhou alguns palcos, nomeadamente o Royal Albert Hall, em Londres.
Marco Rodrigues considerou que a atribuição de um “Lifetime Achivement Grammy” a Carlos do Carmo só vem comprovar a sua grandiosidade como fadista e intérprete.
A atribuição do prémio “deixa-me muito contente não só por ser português, mas também por ser amigo do Carlos”, disse à agência Lusa Marco Rodrigues, que já partilhou palcos com Carlos do Carmo.
Para Marco Rodrigues, que já gravou com o fadista "O Homem do Saldanha", este prémio “só vem comprovar, efetivamente, o que o Carlos do Carmo é enquanto intérprete e enquanto cantor”.
“Em qualquer área musical, Carlos do Carmo é considerado um grande intérprete, que cria imagens com as palavras que diz e da forma como as diz”, acrescentou.
O maestro e compositor António Vitorino d´Almeida considerou que “mais do que justa” a distinção do fadista premeia carreiras de referência no panorama internacional.
“É mais do que justo e dá-me imensa alegria”, disse à agência Lusa António Vitorino d´Almeida, que já acompanhou o fadista ao piano e é autor de alguns temas do seu repertório, nomeadamente o “Fado do Campo Grande”.
Para o maestro, Carlos do Carlos sempre mereceu uma consideração internacional: “Agora que a justiça foi feita é mais uma razão para me congratular com isso”.
Sara Pereira, diretora do Museu do Fado, considerou justíssima a atribuição de um “Lifetime Achivement Grammy” a Carlos do Carmo e sublinhou tratar-se de uma distinção inédita no panorama nacional.
“É um prémio que consagra os artistas nas grandes referências da música universal e que é justamente atribuído ao Carlos do Carmo”, declarou à agência Lusa a responsável pelo museu.
Sara Pereira sublinhou que o percurso artístico de Carlos do Carmo pode ser visto na Cordoaria Nacional, através da exposição dedicada aos 50 anos de carreira do “homem da cidade”.
Para o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, o Grammy atribuído a Carlos do Carmo “enche ainda mais de orgulho a cidade” e “é um novo e decisivo contributo” para a internacionalização do fado.
Em comunicado, António Costa sublinha que “Carlos do Carmo é um dos artistas a quem Lisboa e Portugal mais devem”.
“Este prémio enche ainda mais de orgulho a cidade, os lisboetas e todos os que gostam de Carlos de Carmo, da sua música, da sua voz e do seu fado”, sublinha o autarca.
A presidente da Assembleia da República afirma, em comunicado, que a atribuição a Carlos do Carmo de um “Lifetime Achivement Grammy” demonstra que o fadista é “uma presença incontornável da canção mundial”.
“Este prémio, com a sua ampla dimensão, expõe ao mundo o que sabem todos quantos ouviram Carlos do Carmo: que estamos perante uma presença incontornável da canção mundial e uma das figuras máximas da história do fado”, afirma em comunicado Assunção Esteves.
“Carlos do Carmo afirmou-se, numa carreira que se estende por mais de cinco décadas, como um dos mais destacados embaixadores da cultura portuguesa. A mestria como coloca a voz e a justeza das tonalidades que imprime ao canto são do conhecimento de todos, assim como, no esteio da tradição, foi imprimindo inovações importantes ao fado”, afirma a presidente da Assembleia da República.
Assunção Esteves atesta que o criador de “Por morrer uma andorinha” se tornou “uma referência para as novas gerações de fadistas, apadrinhando muitos dos valores emergentes do fado, como é bem notório no último disco que editou, ‘Fado é amor’”.
“Carlos do Carmo é um cantor atento à nossa língua, ao sentido das palavras, ao modo como se deve contar cada história. E são as palavras, na melodia conjuradas, que nos fazem essa ‘estrada deslumbrada’, com que com ele caminhamos, gratos e orgulhosos por esta distinção tao importante”, remata.

Também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, felicitou Carlos do Carmo pela distinção, considerando que este prémio reconhece o seu percurso artístico de 50 anos.

Segundo uma nota do PCP, o galardão atribuído a Carlos do Carmo "distingue e reconhece a dimensão do seu percurso artístico que há 50 anos contribui para afirmar a música e a cultura portuguesa".

Carlos do Carmo é, para o musicólogo Rui Vieira Nery "um símbolo de tradição e inovação no património do fado".
Carlos do Carmo e Rui Vieira Nery protagonizaram a candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade, distinção que viria a ser atribuída pela UNESCO em novembro de 2011.
O fadista, de 74 anos, tem uma carreira artistica de 50 anos e estreou-se na casa de fados lisboeta O Faia, propriedade dos seus pais.
Numa entrevista à Lusa, o fadista contou que começou a ouvir fado ainda dentro do ventre da mãe, destacando também a importância das idas às verbenas para ouvir fados, acompanhado pelos pais, e "a escola que era O Faia onde se ouvia muitos fadistas, designdamente Alfredo Marceneiro", e a sua mãe, criadora de êxitos como "Maria Madalena" e "Foi na travessa da Palha".
Do seu repertório constam vários temas assinados por Barbosa du Bocage, Almeida Garrett, Frederico de Brito, José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa, Manuel Alegre, José Saramago, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Júlio Pomar, Maria do Rosário Pedreira e compositores como Victorino d'Almeida, Fernando Tordo, Nuno Nazareth Fernandes, Martinho d'Assunção, José Luís Tinoco, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, José Niza, Mário Moniz Pereira e Alfredo Marceneiro, entre outros.
O primeiro disco foi editado pela Alvorada, em 1963, com o título "Mário Simões e o seu Quarteto apresentando Carlos do Carmo", ao qual se seguiu, em 1964, "Carlos do Carmo com a Orquestra de Joaquim Luís Gomes".
Em 1967 a Casa da Imprensa distinguiu-o com o Prémio Melhor Intérprete e, em 1970, atribuiu-lhe o Prémio Pozal Domingues para o Melhor Disco do Ano, o seu primeiro álbum, "O Fado de Carlos do Carmo", em 1969.
Ao longo da carreira somou mais de duas dezenas de álbuns, entre antologias, registos ao vivo e de estúdio, como o mais recente "Fado é amor", em que partilha a interpretação com nomes como Mariza, Camané, Ricardo Ribeiro, Marco Rodrigues e Aldina Duarte, entre outros, ou o CD gravado no ano passado com a pianista Maria João Pires.
Em 1976 Carlos do Carmo foi convidado pela RTP para representar Portugal no Festival da Eurovisão, em Haia, com a canção "Uma flor de verde pinho".
Da sua longa carreira destacam-se, entre outros fados, "Oxalá", "A guitarra e o clarim", "Casa do Fado", "Fado Maestro", "Zé do Bote", "Bairro Alto", "A rua do desencanto", "Por morrer uma andorinha", "Trem desmatelado", "Fado dos Cheirinhos", "Fado do Cacilheiro", "O Homem das Castnhas", "Balada para uma velhinha" e o "Fado do Campo Grande".
A carreira internacional de Carlos do Carmo desponta em 1970, tendo atuado em Angola, no Brasil, ao lado de Elis Regina, Alemanha, Luxemburgo, França e Espanha, onde esteve no passado dia 21 de junho, no Festival de Fado de Madrid.
Entre as várias distinções e prémios que recebeu, como o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro, em 1987, destaca-se o Goya para a Melhor Música Original de 2008, atribuído a "Fado da Saudade", um poema de Fernando Pinto do Amaral, interpretado na melodia tradicional Fado Menor em Versículo, atribuída a Alfredo Marceneiro.
Carlos do Carmo interpreta este tema no filme "Fados", de Carlos Saura, um dos projetos da candidatura do fado a Património Imaterial, da qual o fadista foi um dos embaixadores, e que venceu há três anos.
O criador de "O amarelo da Carris" registou várias colaborações, dentro e fora do universo fadista, nomeadamente com Camané, Marco Rodrigues, Inês Duarte, Sérgio Godinho, José Cid, Sam the Kid, Pedro Abrunhosa e Bernardo Sassetti, entre outros.

A FMS felicita o fadista por esta distinção internacional.

Foto: DR/FMS

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