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Inéditos gravados por Amália Rodrigues no México, maioritariamente cantados em espanhol, encontrados pelo catedrático Miguel Ángel Vera, são editados em CD na quinta-feira, dia 29.

“As gravações são parte de uma pesquisa longa que tenho feito. Certa vez numa conversa com Amália, lembrámos que havia muita coisa gravada dela, em muitos países. Gravações muito boas, feitas em estúdios das rádios, mas não para editar em discos, e quando Amália morreu [em 1999] muitos amalianos no mundo começámos a procurar as gravações perdidas”, contou Miguel Ángel Vera, catedrático da Universidade de Santiago do Chile à Lusa, citado pela TSF.

O catedrático afirmou que tem “consciência que muita coisa que Amália gravou em estúdios, ainda não está em discos”.

Esta pesquisa levou-o ao México, onde Amália atuou com “enorme sucesso” em 1953, e canta “rancheras”, canções da revolução mexicana e canções populares do norte do México, “mas o mais espantoso é que as canta com o sotaque do povo“.

As 16 gravações, agora reunidas no CD “Amália de porto em porto”, editado pela Valentim de Carvalho, foram “provavelmente todas gravadas no México, na década de 1950, mas nem todas se encontravam no México, uma por exemplo estava em Quito”.

Esta dispersão, explicou o investigador, demonstra a “enorme popularidade de Amália” e é fruto das permutas que as emissoras radiofónicas faziam, “fazem circular as músicas e os artistas”.

Entre as 16 canções encontram-se duas em português, “Lisboa não sejas francesa”, da opereta “Invasão”, que Amália gravou iniciando pelo estribilho, e “Toiro, Eh toiro”, “que é muito bonita”, mas que nesta gravação “Amália acrescenta uma estrofe que não se lhe conhece e que não incluiu na gravação do mesmo fado em Paris”. Esta gravação foi encontrada na Rádio Nacional do Equador.

Dos temas em espanhol, regista-se a “ranchera” “Fallaste Corazón”, que Amália manteve no repertório até ao final da carreira e que apresentava como “um fado mexicano”, e canções populares como “Por un amor”; dois temas que Amália escolheu para ao alinhamento dos eu primeiro LP, que gravou nos Estados Unidos.

O CD remasterizado “sem esconder o som da época”, inclui, entre outras canções, “La cama de piedra”, "Gritenme piedras del campo”, “Mala suerte”, “Para ti”, “Plegaria” e “Não me quieres tanto”.

Este é, para Ángel Vera, “um período interessantíssimo da carreira de Amália, que é ainda pouco conhecido, e que do ponto de vista de criação de imagem, de forma intuitiva, sem o saber, Amália colocou-se nos palcos à maneira das pessoas populares do México e cantou os temas com sotaque específico dessas pessoas do povo”.

“Anos mais tarde, Amália regressou ao México, já tinha atuado em Paris, veio elegantíssima com aqueles vestidos compridos, diamantes no peito, e continuou a cantar as nossas cantigas da mesma forma, como o povo as cantava, e causou um enorme sucesso em toda a América Latina. Ver uma rainha cantar como o povo, as pessoas entravam em delírio. E ainda hoje a distinguem, e enaltecem”, disse.

“O sotaque popular mexicano fica especialmente bem na voz de Amália”, asseverou o investigador que realçou: “há Amália a cantar em espanhol, mas o espanhol não é todo igual, e ela canta estas canções com o sotaque popular mexicano, o que ninguém tinha feito antes dela”.

Por outro lado, realçou o investigador, “sem o saber, Amália é parte de um diálogo artístico-musical que se iniciou com ela na América do Sul, o diálogo entre o fado e a ranchera”.

“Ela cantava as nossas cantigas à maneira do fado e depois muitas cantoras imitaram a maneira de cantar de Amália, o que deu ao género ‘ranchera’ um novo ar, uma força nova”, argumentou.

O investigador, por outro lado, alertou para o facto de “ainda não se ter estudado a influência das maneiras de cantar ‘rancheras’ na forma de Amália cantar, nomeadamente fados.

“Em 1997 numa conversa com Amália, ela disse que depois de ter cantado ‘rancheras’ a sua maneira de cantar tinha muita influência deste género", contou o ietnómusicólogo que deu como exemplo "Foi Deus", de Alberto Janes, "em que há um certo arrastado”.

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A APAF - Associação Portuguesa dos Amigos do Fado que inicia no dia 28 as celebrações do seu 20.º aniversário, “esteve à frente do seu tempo e antecipou muitas das atividades sobre o género musical que hoje são correntes”, assseverou a sua presidente.
Em declarações à agência Lusa, citadas pela Notícias ao Minuto, a presidente da APAF, Julieta Estrela de Castro, salientou que “a associação colocou o fado no roteiro cultural da cidade de Lisboa, quando ninguém falava do fado nos seus aspetos históricos, culturais e literários, e era visto como uma vergonha, tendos ido vanguardista”.
Na quarta-feira, dia 28 de maio, a APAF inicia as celebrações com um jantar-tertúlia no restaurante Fado Maior, em Lisboa, com o catedrático chileno Miguel Ángel Vera, que falará sobre a sua tese, “O Género Portuário”.
“O fado foi o nosso único ídolo, não servimos de poleiro para ninguém, nem nunca estendemos a mão a nenhuma instituição pública, de recordar que começámos quando ainda nem se falava do Museu Fado, instituição para a qual fomos dos primeiros a alertar, em 1994, que fazia falara na paisagem cultural lisboeta”, disse Julieta Estrela de Castro.
“De exposições ícono-bibliográficas às de instrumentos musicais, passando por diferentes espetáculos de divulgação, tertúlias, participações em palestras e conferências, foi tudo à custa da associação e dos seus sócios”, enfatizou a responsável.
Em jeito de balanço Julieta Estrela de Castro, entre os mais de 300 eventos realizados, salientou três: As iniciativas, realizadas em 1996, que durante um ano assinalaram os 150 anos da morte de Maria Severa, a celebração dos 200 anos do primeiro método para guitarra portuguesa, e as Jornadas de Fado, que se realizaram de 1997 a 2011, na extinta Fonoteca Municipal.

 

 

“Fomos os únicos a chamar a atenção para a efeméride [150 da morte de Maria Severa] e sobre ela promover um debate alargado que envolveu investigadores, artistas plásticos, jornalistas, músicos, fadistas e o questionar da importância daquela figura na atualidade”, disse.
Pelas jornadas do fado passaram, dezenas de palestrantes, entre os quais Gabriela Canavilhas, Mariza e Joaquim Pais de Brito.
Questionada sobre o futuro, a responsável afirmou: “seguramente deixamos um legado motivador”, mas reconheceu que “há um desgaste de tantos anos a lutar contra ventos e marés”.
Além da palestra, a APAF vai realizar em outubro um evento retrospetivo da associação no Museu do Fado, e editará em 2015, de um livro, que “contará a história da associação e como foi vanguardista, na medida em que abordou temas e realizou iniciativas que só agora surgem a miúde nas agendas culturais”.
“Atualmente toda a gente fala de fado, e há fado a menos”, rematou Julieta Estrela de Castro, umas das fundadoras da associação.
A APAF foi uma das 50 personalidades distinguidas em 2012, com a Medalha de Mérito, grau ouro, da Câmara de Lisboa, por ocasião do primeiro aniversário da proclamação do Fado como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

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