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Homenagem a Florinda Maria

por , em 03.05.14

 

 

Florinda Maria, com 60 anos de carreira é homenageada no domingo em Lisboa pela Associação Cultural "O Patriarca do Fado". Em declarações à Lusa, citadas por Notícias ao Minuto, a fadista afirmou que o fado “vive um bom momento”, mas referiu que “há por aí muita coisa que passa por fado e não é”.
"Hoje há mais facilidades do que no meu tempo, mas há muita coisa que se canta que passa por fado e não o é, há que saber distinguir", disse Florinda Maria, de 77 anos, vencedora em 1955 de um concurso fadista.
“Estreei-me em 1955 no [restaurante típico] Luso, mas já cantava como amadora no Retiro do Pancão, em Almada, e em festas de beneficência”, afirmou a fadista.
Em julho de 1955, Florinda Maria venceu ex-aequo com Julieta Estrela o concurso "Rainha das Cantadeiras", em Lisboa, promovido pelo jornal A Voz de Portugal.
Um jornal da época afirmou que era “uma esperança dentro da estirpe” fadista e salientava que a sua voz “possuía o encanto fadista que a fazia alcandorar a um primeiro lugar muito merecido”.
Fazendo um balanço, a fadista afirmou que percorreu um trajeto de que se orgulha e de que guarda essencialmente “a grande amizade dos colegas”, tendo citado, entre outros, Maria José da Guia, Fernando Farinha, com o qual fez muitas digressões nacionais, Hermínia Silva, Amália Rodrigues, Fernanda Maria, Manuel Fernandes e Manuel de Almeida.
“Eu gostava de cantar, mas nunca tive aquele desejo de ser vedeta, daí talvez não poder dizer que tive grandes êxitos, de terem saído para o grande público, mas fiz uma carreira de que me orgulho, cantei nos Estados Unidos e em Espanha, e melhor do que tudo foram os muitos amigos que fiz, trabalhei com muito bons colegas”, declarou.
Referindo-se ao fado atualmente, Florinda Maria – que, apesar de retirada, ainda canta "de vez em quando" - salientou “os muitos jovens fadistas e guitarristas de talento que existem atualmente" e citou, entre outros, Carminho, Ricardo Ribeiro, Raquel Tavares e Camané, sem esquecer, contudo, alguns mais antigos, entre eles Maria da Nazaré e António Rocha.
Florinda Maria defendeu a necessidade de os novos intérpretes criarem um repertório próprio, reconhecendo "ser natural cantar-se coisas de outros".
“Nós também cantávamos coisas dos outros, eu cantei da Fernanda Maria, da Amália, da Hermínia e da minha prima, a Mariana Silva, que o Alfredo Marceneiro afirmou ser a que melhor estilava no seu tempo, mas no Luso, onde comecei, tínhamos de ensaiar dois fados novos por semana, para renovar e criar repertório próprio e não cantarmos fados dos outros”, recordou.
Sobre o seu repertório, apontou os fados “Malva Rosa”, que Carminho gravou recentemente, “Fadista novo” e dois fados para os quais fez a música: “Desejo meu”, com um poema de Florbela Espanca, e “Saídos do meu ventre sem destino”, de Alda Reis.
“O primeiro era um poema de que gostava muito e até mostrei a música ao António Chaínho, não fosse um plágio, e ele até elogiou, e o outro era um daqueles fados proibidos antes do 25 de Abril de 1974, pois referia-se à situação de guerra nas ex-colónias”, contou.
Além do restaurante típico Luso, a fadista atuou na Adega do Mesquita, A Severa, Adega Machado, Lisboa à Noite, A Tipoia, Solar da Hermínia e O Lar Português, sempre em Lisboa.
Florinda Maria qualificou de “inimaginável” a classificação do Fado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura e destacou o papel do Museu do Fado, onde “gostaria de ver fotografias de fadistas que ajudaram a fazer um caminho e não estão lá, mesmo que tenham uma carreira mais pequena”.
A homenagem à fadista de 77 anos é uma iniciativa da Associação Cultural "O Patriarca do Fado" e realiza-se às 12:30 de domingo no restaurante típico O Timpanas, no bairro lisboeta de Alcântara.

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O livro “1914 – Portugal no ano da Grande Guerra”, de Ricardo Marques, relata o quotidiano português no ano em que a I Guerra Mundial começouA narrativa de Ricardo Marques ilustra com factos e curiosidades como se vivia em Portugal, quatro anos depois de derrubada a Monarquia, numa República ainda tibuteante. Um país com mão de obra infantil, em que o médico Alfredo da Costa insistia que os nascimentos de crianças se deviam fazer num hospital especializado e o higienista Ricardo Jorge se preocupava em não dar tréguas ao surto de tifo que afetava Portugal.
A obra, dividida em cinco capítulos, incluindo um sobre a participação portuguesa no conflito mundial, apresenta uma narrativa que tece um paralelo entre o que se passava no país e o que acontecia na Europa. Por exemplo, no dia 28 de junho de 1914. quando o herdeiro do trono imperial austro-húngaro foi morto em Sarajevo, o arquiduque Francisco José, facto que viria a desencadear o conflito bélico, em Lisboa, “o Senado aprovou os orçamentos dos ministérios da Justiça e das Colónias” e, em Matosinhos, “o bispo do Porto administrou a Crisma a 200 crianças, ignorando a ameaça de protestos que circulava há dias”.
A primeira parte é sobre “Ciência e natureza”, e descreve Lisboa como “uma cidade suja”, refere as preocupações com a canalização de água; trata do mau tempo, que derrubou cedros ancestrais na mata do Buçaco, e da quarta cesariana que se realizou em Coimbra, dando conta que “correu bem”.
O segundo capítulo é sobre a “Vida Pública” e refere as "lutas e reivindicações dos trabalhadores”, da questão do ensino no contexto republicano e recém-aprovada da Lei de Separação do Estado das Igrejas.
O terceiro capítulo é dedicado à “Vida Privada” e revela as partidas de ténis das senhoras e o “tráfico de brancas”, mulheres colocadas na prostituição, em que as criadas de servir “davam maiores lucros aos traficantes”.
O autor, jornalista de profissão, refere ainda os divertimentos, a procura de praia e sol, a moda e o desporto, em que o futebol já mobilizava "milhares de pessoas”, mas “havia quem se queixasse dos abusos de linguagem e da violência entre os jogadores”.
A quarta parte é dedicada ao “mundo” destacando a morte do Papa Pio X, ao qual sucedeu Bento XV, e dos ataques dos piratas chineses às costas da então colónia de Timor-Leste, ou em Goa, então Estado Português da Índia, na Escola Médica, onde se matriculava Lucinda Pinto, a primeira mulher ali a estudar.
Finalmente, a última parte é dedicada ao esforço de guerra de Portugal, quando, numa sexta-feira, em frente às “centenas de pessoas nas galerias do parlamento, tão caladas como os 79 deputados e os membros do ministério”, Bernardino Machado apresentou o projeto de lei que permitiria todos os poderes excecionais, incluindo, “perante a situação externa”, a participação das tropas portugueses, ao lado das do Reino Unido, França e Itália, no conflito armado.
Portugal escolhera um lado do conflito, contra os Impérios da Alemanha e da Áustria-Hungria, mas “havia quem não concordasse”, "vários setores da sociedade opunham-se à participação".

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