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A escultora e fadista Cristina Maria apresenta, a partir do dia 29 de março, a exposição “Esculturas do meu fado”, no Centrum Sete Sóis Sete Luas, em Frontignan, na França.
Antecipando a inauguração, Cristina Maria realiza no dia 28 várias ações nas escolas da cidade francesa, nas quais fala sobre as suas vertentes de fadista e escultora. À noite tem um encontro com a população no Centrum Sete Sóis Sete Luas de Frontignan.
Na abertura da exposição, no dia 29 às 19:30 locais, Cristina Maria interpreta alguns fados do seu repertório, acompanhada apenas pela guitarra portuguesa de mestre Custódio Castelo.

 

 

"Estranha forma de vida" (Cristina Maria)


Esta exposição, que levou cerca de dois anos a preparar, foi apresentada pela primeira vez em junho passado no Museu do Fado, em Lisboa, e mostrou-se em vários espaços nacionais, como o Convento de Cristo, em Tomar, o Museu de Aveiro e a Casa-Museu Guerra Junqueiro, no Porto, tendo igualmente seguido para Pontedera, na Itália.
Em declarações à Lusa, Cristina Maria afirmou que, através desta exposição, procura"exprimir o duplo sentimento de mar, o fado", que canta e de que gosta, assim como a cantaria em pedra, de que é mestre, "igualmente uma arte tradicional portuguesa", destacou.
A exposição integra apenas esculturas em mármores e calcários pretos e brancos, à exceção da escultura de homenagem a Amália Rodrigues, em vermelho de Alicante.
“O branco e o negro são, para mim, as cores representativas do fado, destacando-se um vermelho de Alicante que é minha homenagem à minha grande inspiração, Amália Rodrigues”, afirmou Cristina Maria.
A escultura dedicada à criadora de “Povo que lavas no rio” mede 1,50 metros e "é a mais pesada", disse.
Além de Amália, são homenageados outros nomes do fado como o guitarrista e compositor Custódio Castelo, o fadista Fernando Maurício, o músico Jorge Fernando, o viola baixo Joel Pina e o construtor de guitarras Óscar Cardoso.

 

 

"Inquietitude" (Cristina Maria)


A escultura dedicada a Custódio Castelo, músico que habitualmente acompanha a fadista, intitula-se “Inquietude”, é em ferro e em calcário preto do Alqueidão da Serra e tem 1,60 metros.
“Procurei, através da pedra, exprimir inovação, genialidade, criação e forma de reinventar o instrumento, como acompanhador e também como solista, do músico Custódio Castelo".
“Todos os fadistas são homenageados através da escultura ‘Fado menor', de 1,23 metros, que representa o xaile da fadista em repouso, no cadeirão de ferro, guardando a dor, a solidão e a saudade". "É uma escultura em mármore ruivina e ferro”, explicou.
A canção de Coimbra é homenageada com “Verdes Anos”, em calcário preto do Alqueidão da Serra e mármore branco da Grécia, remetendo o seu título para a composição homónima de Carlos Paredes.
A mostra no Centrum Sete Sóis Sete Luas, em Frontignan, estará patente até 29 de maio.

Fotos: Cristina Maria/FMS

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Exposição “Revista ao Parque” é inaugurada no dia no antigo Picadeiro Real, no Príncipe Real, Lisboa, apresentando por mais de mil peças relacionadas com a prática teatral no Parque Mayer.
A coordenadora da exposição, Filipa Veiga, disse que as peças expostas são provenientes de vários espólios, nomeadamente do do Teatro ABC, já extinto, do Maria Vitória, em atividade, do Museu do Fado e de Vasco Morgado, neto do empresário teatral Vasco Morgado, falecido em 1978.
“Os quatro teatros do Parque Mayer – ABC, Capitólio, Maria Vitória e Variedades - estão representados num só espaço de 600 metros quadrados, no qual se podem ver cenários em tela e em madeira, adereços de palco, fatos, programas, fotografias, desenhos de figurinos, etc.”, disse Filipa Veiga.
A responsável salientou o caráter “interativo” da exposição, dividida em seis núcleos, que permite “que as pessoas mexam em alguns objetos, como as reproduções dos programas originais que estão expostos, ou possam até usar alguns dos fatos e chapéus, maquilharem-se e posarem para a fotografia, num palco que foi especialmente montado”.
“Só fatos expostos para as pessoas vestirem são cerca de 300, do espólio do extinto Teatro ABC, e que foi oferecido” à recém-criada Junta de Freguesia de Santo António, em Lisboa, que organiza a exposição.
“Aos fins de semana vamos realizar ateliês de maquilhagem e costura, pare dar a ideia do modo de produção que existe quando uma peça ou uma revista é levada à cena”, afirmou Filipa Veiga, citada pelo Diário de Notícias.
Nos teatros do Parque Mayer estrearam-se revistas, comédias, dramas e até tragédias, mas também se exibiu cinema, fez-se patinagem, realizaram-se combates de boxe e ouviu-se o fado. Pelos seus palcos passaram praticamente todas as vedetas portuguesas “e muitas nasceram aqui”, disse Filipa Veiga.
A lista de atores, bailarinos, músicos, cantores e fadistas “é infindável, além de todos aqueles que não vemos e que estão na preparação do espetáculo como carpinteiros, pintores, eletricistas, costureiras, figurinistas, cenógrafos e, claro, o produtor”.
Na exposição é recriado “o escritório de um produtor, com o material e a decoração que perdurou até às décadas de 1970 e 1980”, adiantou.
A exposição estará patente ao público durante um mês, de 27 de março, Dia Mundial do Teatro, até 27 de abril, e a Junta de Freguesia de Santo António, em Lisboa, já entrou em contacto com outras autarquias, de modo “a que a exposição possa ir em digressão pelo país, dando a conhecer este mundo mágico do espetáculo no Parque Mayer”.
O investigador de teatro Vítor Pavão dos Santos, primeiro diretor do Museu do Teatro e autor da monografia “Revista à portuguesa”, primeiro estudo consagrado a este género, em Portugal, referiu-se ao Parque Mayer, nas imediações da avenida da Liberdade, em Lisboa, como “a Broadway portuguesa”.

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