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No dia 27 de novembro, quando se celebra a consagração do Fado como património imaterial da humanidade, o Presidente da República condecora com a comenda da Ordem do Infante, os fadistas Argentina Santos e Vicente da Câmara e o guitarrista e compositor de fado Carlos Gonçalves.

Argentina Santos, de 87 anos, gravou o primeiro disco em 1960, apesar de já cantar na Parreirinha de Alfama, da qual se tornou proprietária na década de 1950. Em 1962, registou um álbum gravado ao vivo na sua casa de fados no qual, entre outros, participaram Maria da Fé, Lina Maria Alves, Celeste Rodrigues, Alberto Costa e Mariana Silva.

Distinguida com o Prémio Amália Rodrigues Carreira, em 2005, Argentina Santos atuou em palcos como o do Festival de Edimburgo, o do Konzerthaus, em Viena, do Queen Elizabeth Hall, em Londres, e o do La Cité de La Musique, em Paris.

Em 2004, foi homenageada durante a Festa do Fado em Lisboa e, em 2012, recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.

Do seu repertório refira-se “Passeio fadista”, “Duas santas”, “As minhas horas”, “A minha pronúncia”, “Gosto dele” e “Renascimento”, entre outros fados.

Vicente da Câmara, de 85 anos, incentivado por Maria Teresa de Noronha, sua tia, participou num concurso da Emissora Nacional, em 1948, que venceu.

Em 1950, assinou o primeiro contrato discográfico e gravou ainda em 78 rotações o “Fado das Caldas”, “Uma oração”, “Os teus olhos”, este com letra sua, e “Varina”, de sua autoria a letra e música. Nesta mesma década compôs o fado que se tornou identitário, “A moda das tranças pretas”.

Vicente da Câmara apresentou-se em vários palcos internacionais, tendo atuado em Macau, França, Espanha, Luxemburgo, entre outros países.

Data de 2006 o seu mais recente álbum, “O rio que nos viu nascer”, e, em 2009, recebeu o Prémio Amália Rodrigues de Carreira, sendo atualmente membro do conselho consultivo do Museu do Fado.

Carlos Gonçalves, de 65 anos, foi o último guitarrista de Amália Rodrigues, tendo feito parceria com a fadista, compondo para poemas seus, como “Lavava no rio, lavava”, “Ai, minha doce loucura”, “Ó pinheiro, meu irmão”, “Grito”, “Lágrima”, “Fui ao mar buscar sardinhas” e “Amor de mel, amor de fel”, entre outros, e também para poemas de autores como Luís de Camões, “Sete anos pastor”.

O músico recebeu o Prémio Amália para Melhor Guitarrista em 2005 e, este ano, o de Composição.

Carlos Gonçalves acompanhou Amália Rodrigues, falecida em 1999, nas suas várias digressões internacionais, e continua hoje a compor e a acompanhar alguns intérpretes.

A Ordem do Infante foi criada em 1960 e, segundo o site das Ordens Honoríficas Portuguesas, “destina-se a distinguir quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores”.

Este ano, na cerimónia do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, o Presidente da República condecorou como comendadores desta Ordem, o presidente da Câmara Municipal de Elvas José Rondão Almeida, a ex-deputada e professora universitária Maria Santos, e as fadistas Maria da Fé e Teresa Tarouca.

Foto: José Frade

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Uma biografia de Ercília Costa, que fez sucesso nas décadas de 1930 e 1940, e foi apelidada pela imprensa como “a santa do fado”, é apresentada no dia 26 às 18:00 no Teatro Maria Vitória, em Lisboa.

Intitulado “Ercília Costa – Sereia Peregrina do Fado”, de autoria de Jorge Trigo, o livro é apresentado pelo locutor Nunes Forte, a celebrar 50 anos de carreira.

Ercília Costa foi a primeira portuguesa a atuar em Hollywood, e foi “uma pioneira", disse Jorge Trigo ao Notícias ao Minuto.

"A fadista foi a primeira artista portuguesa a atuar em digressões sitemáticas ao estrangeiro, a primeira atuar na rádio e a gravar aquele que pode ser apontado como o primeiro videoclip”, disse Trigo.

Ercília Costa atuou em Hollywood em 1939, no mesmo ano da estreia de outra portuguesa, Carmen Miranda. Além dos Estados Unidos, onde se deslocou várias vezes, atuou no Brasil em companhias de teatro portuguesas e, como vedeta, nas brasileiras. Ercília Costa cantou também no Uruguai, Argentina, Espanha e França, "sempre com grande êxito".

Outro sinal do pioneirismo da fadista, foi ter registado aquele que é apontado, pelo autor, como o primeiro antepassado dos atuais "videoclips".

“Foi em 1932 quando Ercília Costa surgiu no grande ecrã no filme 'Amor de Mãe', realizado por Carlos Ferreira, que era centrado na interpretação do fado homónimo, constituindo uma experiência curiosa, inédita em Portugal – a interpretação em imagens cinematográficas de um trecho musical, muito similar aos atuais videoclips”, explicou.

A criadora do “Fado Lisboa” foi também a primeira fadista a atuar na rádio, designadamente no posto emissor CT1AA, cujos estúdios eram no edifício do atual centro comercial dos Armazéns do Chiado, em Lisboa.

Sobre o título, Jorge Trigo afirmou que “Sereia Peregrina do Fado” era outra das formas como a imprensa se dirigia à fadista, além de “Santa do Fado” e também, menos usual, “Toutinegra do Fado”.

Todavia, numa entrevista, Ercília Costa afirmou que agradecia “o carinho do público português e brasileiro, que a chamava de 'Santa do fado', mas queria doravante ser só e apenas fadista”, cita Jorge Trigo.

"A primeira vez que Ercília se deslocou aos Estados Unidos foi a convite do embaixador de Portugal João Bianchi, para atuar na Exposição Universal de Nova Iorque, em 1939, quando foi a Hollywood, onde viu tudo - os estúdios e as residências de alguns artistas que lhe ofereceram lindas festas, como Leo Carrillo, e teve de cantar, surgindo logo a ideia de um filme em que entrasse o fado”.

“Ainda estava por aproveitar o fado em filmes norte-americanos e alguns realizadores afirmaram a Ercília Costa ter este o seu lugar ao lado do tango e doutras canções já muito exploradas. Chegou a fazer amizade com Bing Crosby e Cary Grant, mas talvez tivesse de voltar a Hollywood, e não consta que o tenha feito, pelo menos para filmar”, disse Trigo.

A carreira de Ercília Costa iniciou-se na década de 1920, tendo-se estreado no retiro de fados Ferro de Engomar, que este ano fechou portas no bairro lisboeta de Benfica.

Em 1954, colocou fim à carreira, retirando-se para a sua casa em Agualva, nos arredores de Sintra. “As apresentações que fez depois desta data são muito raras”, disse Trigo.

Ercília Costa nasceu em agosto de 1902, na Costa de Caparica, em Almada. Batizada Ercília Botelho Farinha Salgueiro, tomou o apelido "Costa" numa referência às suas origens, “das quais se orgulhava”.

Artisticamente começou como corista numa revista representada em Évora. A sua entrada em definitivo na vida artística ficou a dever-se ao ator Eugénio Salvador que, impressionado por a ouvir, a convidou para integrar o elenco da revista “O canto da cigarra” (1931). Foi o princípio “de um corrupio de presenças e atuações”.

Na década de 1950 "participou nas Marchas Populares de Lisboa e no cinema, como actriz e fadista, no filme 'Madragoa' (1952) e, em 1972, gravou o seu último disco, intitulado 'Museu do Fado'”. Em 1985 morreu, na sua casa em Algés,com 83 anos.

Entre os seus êxitos, destacam-se ainda "Duas glórias", "Fado Lisboa" e o "Fado sem pernas".

Em junho de 2009, a discográfica Tradisom editou em CD algumas gravações feitas pela fadista em 1929 e 1930, entre as quais, uma registada em Espanha.

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